F.a.l.a.b.r.a.s


De mudança


“A vida está cheia de encontros inesperados, com a música, com
brasileiros na rua e posts teus. E é uma vida boa.”

Pedro

Já é de conhecimento de alguns, mas agora para formalizar, faço oficial: já estou a meter posts no meu novo blog português. A pedido, claro, do incansavelmente citado aqui amigo Pedro, estou a usar novo espaço na blogosfera, com novo layout (agora mais fixe) e novas histórias. Esse adorável lusitano que agora faz parte da minha vida escreveu-me hoje coisas lindas, como a frase citada acima. Pena que cometeu um pequeno engano. Acredita que deu início ao que chama de programa “adopte um brasileiro” e está a enviar-me porções diárias de serotonina. Mal sabe o pobre gajo que há muito tempo já está a desempenhar este papel na minha vida.

E para recompensar-lhe a dura tarefa de compartilhar com o mundo o “bom segredo” que ele acreditava serem minhas falabras (sim, queridos, palavras de Fabíola, não “fala-Brás” como alguns acreditam), dedico-lhe humildemente essa pequena homenagem nas entrelinhas.

Entra que a casa é tua: http://falabras.blogs.sapo.pt/


Escrito por the fazz às 14h53
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Melinda & Melinda


Hoje caiu um cisco no meu olho
E eu estava descendo do metrô
E não dá pra assoprar o próprio olho
Não dá.
Existem escovas de banho
De cabos bem compridos
Mas ainda assim
Não dá pra coçar as próprias costas
Não dá.
E não é uma lata difícil de abrir
Não é um objeto em cima do armário
Não é a diplomacia com o encanador
É um pouco disso
E um pouco daquilo
Que me faz imaginar:
Não dá...
E existe um motivo muito bonitinho pra isso.


Escrito por the fazz às 23h35
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Romance


Os momentos em que eu mais sinto que você me ama
são aqueles em que estamos só você e eu
tomando um café na padaria
o seu, espresso sem açúcar
o meu, cheio de chantily, calda e cobertura
e começa a tocar Ana Carolina e Seu Jorge
e eu te observo demoradamente
para enfim dizer
“como eu detesto essa música!”
você sorri, em aliviada retribuição
e isso tudo é lindo de doer.


Escrito por the fazz às 15h33
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Vem aqui.


- Vou levar você em casa e depois vou até o Mercado Municipal, ok?
- Linda, não precisa me levar em casa não... eu pego o metrô, numa boa.
- Mas... mas... e se você encontrar a mulher da sua vida no metrô?
- Daí eu vou ficar enfurecido e perguntar porque diabos ela mentiu que ia no Mercado Municipal.

by Esquisito


Escrito por the fazz às 17h53
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Sim, é um aviso.


Tenho ouvido o tema de Jon Brion 72 vezes seguidas, diariamente. E um dia, naturalmente, vou me desgastar pela repetição. Mas haverá ainda a história do casal que se conheceu e se apaixonou na linha vermelha do metrô, a caminho de casa. Vou lembrar o quanto amei o bêbado adormecido no banco perpendicular ao de uma moça e um rapaz, que ao quase deslizar no colo da jovem, provocou um riso compartilhado, uma troca de olhares e a primeira faísca entre o casal. E eu vou venerar essa cena e mantê-la na memória sempre que quiser acreditar que existe vida cinematográfica. Vou deixar de amar o casal e me apaixonar por uma fotografia de uma criança lambendo goteira. Aí vou buscar a bolha de sabão perfeita, pisar nas folhas secas que fazem “crec”, comer só o sabor chocolate do sorvete napolitano. Vou me apaixonar novamente pelo texto “O Búfalo” da Clarice e pela coloração azulada do fim de tarde na cidade. Eu já me apaixonei pela risada da Aninha e pelo show do Yann Tiersen. Por diversos roteiros e pelo Gael sugerindo “case-se comigo aos 70 anos, você não tem nada a perder” no filme do Gondry. Pelo cheirinho da casa da Camilla e pelo abraço de 15 segundos do Bari. Pelo bolo de leite condensado com canela da minha mãe e por aquele e-mail em que você me manda um beijo, um só, infinito. Esta é a minha vida, não idealizada, mas real e materializável. Só pra que saibam economizar esforços quando quiserem me abater com teses irrefutáveis de que a frustração do ser humano é buscar a repetição, quando sensações são irreprodutíveis. Eu jamais vou lamentar ou me sentir ingênua por querer reproduzir os momentos que me arranquem um suspiro. Porque todos os dias eu tenho um motivo fresco de magia. E o meu mundinho inacreditavelmente cor de rosa vai estar sempre determinado a violentar qualquer mundinho em escalas de cinza.

Escrito por the fazz às 11h06
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Não tragam tomates



Escrito por the fazz às 14h49
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You´re worth the trouble and you´re worth the pain.


Voltava pra casa no ônibus de sempre. Ao meu lado, um rapaz falava ao celular. Era impossível não ouvir o que dizia. Tanto pela proximidade quanto pelo fato de eu não ser tão ética quanto as pessoas esperam que eu finja ser.

- Oi, esquisita.

(Sempre achei piegas esse lance de apelidos de casal. Mas aquele “esquisita” me atingiu com uma doçura brutal. Se um dia eu fosse algo, desejaria ser a esquisita de alguém.)

- Ah, você gostou? Promete que vai seguir minhas instruções. Colocar quando estiver indo dormir. O ideal é que na faixa 6 você já esteja em alfa, na 8 esteja no primeiro estágio do sono e na 10, com sorte, sonhando comigo.

(Ele não tem aparência de gay. O que eu faço do lado de um hetero que grava CDs tão sensíveis pra namorada? Corto os pulsos com o bilhete único?)

- E então? Muito ansiosa? Lembra bem o que eu te falei. Todo esse esforço vai valer a pena. Você sabe que eu sou seu fã incondicional, antes mesmo de termos uma história. Sua boba. Lembra que eu elogiei uma tela na galeria que eu nem sabia que era sua.

(Gente, é um graduado em eliminar insegurança feminina...)

- Relaxa. Eu já pus no correio. Ué... porque eu sabia que você não ia ter tempo. Assim você podia dormir até mais tarde.

(Melhor eu descer um ponto antes hoje. Se perceberem que estou quase chorando, pode pegar mal.)

- É. Espero que você lembre disso da próxima vez que estiver com problemas. Entendo que você quis me preservar. É muito nobre da sua parte, mas quero que saiba que é por isso que se chama “dividir”. Partilhar problemas com alguém que se importa nunca significa “um indivíduo a mais sofrendo”. São dois indivíduos sofrendo bem menos do que um sozinho. Eu sei que é paradoxal, mas eu sempre vou me sentir estranhamente aliviado em carregar o seu peso.

(Ok. Escorreu uma lágrima. Vou ser obrigada a comprar o produto de alta qualidade, de 3 por 1 real com a data da validade impressa na embalagem.)

- É. Já estou com saudades. De verdade. Se eu pudesse, descia agora do ônibus, pra correr na sua porta e exigir um abraço de no mínimo 12 minutos. É uma merda esse tipo de emergência, essa hora da noite.

(Óóóóóóóóun... profissão maldita que separa um casal tão surreal numa sexta-feira abafada...)

- Ok, esquisita. Agora tenho que desligar. Desço no próximo ponto. Já estou em Santana. Um beijo que te deixe um hematoma.

(Cretino! Isso aqui é a Faria Lima!)


Escrito por the fazz às 00h49
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É assim que se faz


Ontem, no evento Casa dos Criadores.


- Com licença, qual é a diferença entre essas duas filas?

Rafael Grou responde com uma convicção inquebrantável:

- Absolutamente nenhuma - confortando o jovem que se retirou com um sorriso grato e satisfeito para uma delas.

Eu:

- Mas Rafa... nem nós temos certeza sobre essas duas filas, como você responde com tamanha certeza?

- O importante é que eu resolvi o problema dele, Fabíola.

Se alguém ainda tinha dúvidas sobre publicidade, encaixem essa parábola na explicação para: ATENDIMENTO.

Escrito por the fazz às 16h33
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Entrelinhas


Sempre amou os sebos. Gostava do cheiro dos livros antigos. Das páginas amareladas. Das capas duras cor vermelho sangue, com os títulos em dourado e fontes manuscritas. Mas o que mais o atraía nos sebos era buscar nos livros adquiridos os rastros deixados pelos antigos donos. Num desses fins de dia que cobrem toda a cidade de um tom azulado, comprou um Bukowski, serviu-se de uma taça de vinho e afundou num puf. Tomara o cuidado de não desfazer as orelhas das páginas, respeitosamente. Foi surpreendido por uma frase sublinhada a lápis. E outra. E outra. Interrompeu-se na frase “Que tempos difíceis foram aqueles. Ter toda a vontade e a necessidade de viver, mas não a habilidade”. Do fundo daquele puf, emergiu uma sensação inteiramente sublinhável. Engoliu cada letra, leu o trecho repetidas vezes, degustando vogais e consoantes. Mas desta vez, não era o autor fanfarrão que o encantara. Ele sentiu-se colhendo uma história que fora contada involuntariamente. Era o vestígio de alguém que por um motivo qualquer, sentira-se fascinado pela mesma sentença que provavelmente ele próprio sublinharia.

Escrito por the fazz às 00h05
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Revolta masculina


Cara... taí uma coisa que me deixa profundamente irritado... mulher usar banheiro e nunca, MAS NUNCA lembrar de levantar o assento da privada depois de usar. É um desrespeito com a gente...

Escrito por the fazz às 19h02
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Lambe Bazar Pamplona



Pra quem quiser ver, a visitação é gratuita. Aceitamos doações espontâneas em euros.
Muro da Casa do Mancha (Falcatrua)
Rua Filipe de Alcaçova, 89 - Vila Madalena (entre Wisard e Aspicuelta)

Agradecimentos: Bazares, Perdido, Lipcia Patricia, Vinicius Mariano e Mancha.
Fotos dos meninos de carne e de papel: Vinicius Mariano

Mais em http://www.flickr.com/photos/54224049@N00/


Escrito por the fazz às 09h30
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Reconhecendo o gosto de sonho realizado


Entrei no trem em Lisboa e procurei meu assento. O Thi ofereceu um fone de seu iPod e começamos a ouvir Post Modern Girls. O trem começou a se deslocar rumo a Madrid e eu abri a cortina pra ver as imagens passando rápido lá fora. Algo aconteceu quando abri aquela cortina. Lembrei que um dia me disseram que chorar é deixar “vazar” uma sensação que não conseguimos conter nesse recipiente chamado corpo. Foi quando o cruzamento engenhoso de Strokes, Regina Spektor e a imagem que vi lá fora me atingiram violentamente pra me fazer “vazar”. Era a imagem de uma mulher sorrindo. E que surpresa fabulosa descobrir que a imagem era um reflexo, e que a mulher sorrindo, era eu.


Pedro, o português adorável que eu não canso de citar nesse blog.

Escrito por the fazz às 23h14
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Para lembrar-se periodicamente


Eu queria conhecer a Europa. Fazer uma exposição de arte. Escrever um livro de contos, estreiar uma peça. Me apaixonar numa sala de cinema, aprender a cozinhar. Ter um filho. Ter um filho e uma filha. Ter três filhos. Dizer sem medo "eu te amo". Fazer uma apresentação de tango. Começar um curso de design. Queria aprender a falar espanhol e francês. Tocar violino. Trazer pra av. Paulista a parada das bolhas de sabão. Comprar um carro antigo. Ter uma vitrola. Queria.

Um dia descobri um nódulo no seio esquerdo. Um nódulo, porra! Por que diabos eu não estava viajando pra Europa, escrevendo um livro, me apaixonando, tendo filhos, aprendendo outras línguas, realizando exposições, dizendo "te amo" até pra quem não merece, comprando coisas fúteis, fazendo bolhas de sabão com mais quinhentas mil pessoas? Agora eu tinha um nódulo, e ele ocupava um espaço onde antes só habitava a covardia.

Um dia descobri que o nódulo não era nada. Nada! Só um abençoado susto pra que eu fosse pra Europa, fizesse uma exposição, roubasse beijos, estreiasse e escrevesse peças, dissesse tantas vezes "eu te amo", conhecesse pessoas que me ensinariam espanhol de graça, queimaria panelas, arranharia instrumentos, voltasse a comprar lápis 36 cores... caralho! Só a porra de um susto! Pra que eu tivesse enfim, aquilo que só a sensação da morte poderia trazer: a sensação de estar viva.

Escrito por the fazz às 18h20
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Conversa com Furmiga, ao telefone:

- Sexta-feira vou fazer uma exposição. Você vem ver?
- Exposição?
- É.
- Ahahahahahahahahahahahahahahahahaha(...)! Você? Vai inventar de expor o quê?
- Eu também ainda preciso descobrir.

Desafio de Ouro Fabíola Alves Silva. Venha descobrir se eu encontrei alguma solução pra enrascada que Angela Ribeiro me enfiou.



Escrito por the fazz às 15h56
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Sinto-me uma Tenembaun

A minha sala acaba de sofrer uma pequena invasão de zebras essa tarde.





Escrito por the fazz às 14h58
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